sexta-feira, setembro 29, 2006

Debate - ELEIÇÕES 2006

Recortes de notícias:

"Lula cometeu um erro político ao não comparecer ao debate de ontem na TV Globo. Eleitoralmente, ainda não é possível dizer se a ausência tirou-lhe votos ou não – o mais provável é que não – e nunca se saberá se o comparecimento diminuiria ou aumentaria suas chances de vitória já no domingo. Mas, em termos políticos, Lula ficou menor, e não maior, ao deixar sua cadeira vazia no Projac."
..."passou a idéia de que coloca a conveniência eleitoral acima das convicções políticas. Afinal, em outras campanhas, sempre cobrou dos que lideravam as pesquisas o comparecimento aos debates. Em 1998, por exemplo, bateu duro em Fernando Henrique quando o então presidente, também de olho na conveniência eleitoral, recusou-se a confrontar suas idéias com as dos demais candidatos. Naquela época, Lula dizia com razão que o debate é um direito dos eleitores e uma manifestação de respeito à democracia. Ontem, deu o dito pelo não dito, como já havia feito antes nos debates da Band e da TV Gazeta, e teve o mesmo comportamento que criticara oito anos em Fernando Henrique. Até as desculpas não foram muito diferentes."
Franklin Martins - Último Segundo




"De olho na consulta
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, acha que o debate vai garantir a realização do segundo turno. De acordo com ele, a ausência do presidente equivale a uma confissão de culpa. Lupi afirmou também que o seu candidato, Cristovam Buarque, cumpriu bem a tarefa da qual foi incumbido pelo partido. Perguntado sobre a hipótese de um segundo turno, reconheceu que "o PDT terá imensas dificuldades, mas terá de fazer uma grande consulta aos filiados antes de decidir" o que fazer e quem apoiar."
...
"Lembo fala
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), falou ao G1, durante o intervalo. "Efetivamente, a ausência do candidato Lula é uma tragédia, um desserviço imenso. Candidato que não debate quer se excluir do jogo político, o que é extremamente grave", afirmou."
...
"Tasso fala
O presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), disse lamentar a ausência de Lula. "Era o grande momento, a oportunidade única para ele responder às perguntas que o país está fazendo. A ausência dele parece uma confissão de incapacidade de dar essa resposta", afirmou. De acordo com o senador, o candidato Geraldo Alckmin está "preparado", mas "bem decepcionado" com o não-comparecimento do presidente. "Ele tinha muitas perguntas a fazer", completou."
G1.com.br






É estamos perto! Vamos votar!
Estou ansioso para saber se terá segundo turno ou não, independente do resultado do segundo turno espero que aconteça, será muito mais seguro para a política nacional se ocorrer.
Para quem não viu o debate ontem e quer saber o que aconteceu, pode ver os videos e resumos no G1.

FelipeCL

quarta-feira, setembro 27, 2006

A imprensa e os aloprados

Estou com pouco tempo agora, mas para não deixar essa quarta sem post vou publicar essa reportagem do Observatório-Último Segundo.

ESQUIZOFRENIAS PRÉ-ELEITORAIS

A imprensa e os aloprados

Por Alberto Dines em 26/9/2006


Numa hora, o presidente-candidato Lula fustiga os "aloprados" do PT. Horas antes, esgoelou-se contra o "partidarismo da imprensa" apenas porque esta investiga as trapalhadas daqueles mesmos aloprados. Quem é aloprado? O que se pretende com este clima de desatinos?

Num discurso, o presidente-candidato apresenta-se como reencarnação de Jesus Cristo traído, em outro proclama que nenhuma denúncia [da imprensa] o impedirá de ganhar no primeiro turno. Mas as denúncias referem-se justamente àqueles que traíram Sua Excia...

Dane-se a coerência: o país virou um palanque amalucado onde a irracionalidade e a irresponsabilidade, em ritmo alucinado, promovem um dos mais lamentáveis espetáculos de vale-tudo eleitoral de todos os tempos.

Tática para confundir os adversários? Surto de esquizofrenia aguda? Ou apenas demagogia? Qualquer que seja o diagnóstico, o que não se pode admitir é a instalação de um clima delirante menos de uma semana antes daquele dia em que devem imperar a ponderação e o bom-senso.

Não se ameaça a democracia (ou, no caso, um dos seus esteios) às vésperas de eleições. Sobretudo quando um dos protagonistas, além de candidato, é também presidente da República – supremo magistrado, comandante em chefe das Forças Armadas, chefe do governo e da nação, encarregado de zelar pela tranqüilidade do processo político e pela harmonia institucional.

Serviços prestados

Há mais de um mês, quando a campanha estava morna, chata e apontava para uma vitória fácil do presidente Lula, o governo, associado ao que restou do partido do governo, resolveu intimidar a imprensa. Começaram a vazar documentos sobre o programa para o segundo mandato com referências explícitas à necessidade de "democratizar a comunicação". Estava clara a intenção de evitar surpresas e abortar o aparecimento de qualquer dossiê explosivo, capaz de alterar as tendências na reta final da disputa.

O dossiê explosivo acabou explodindo nas mãos do governo e do partido do governo duas semanas antes do pleito. Por incompetência, nervosismo ou desespero acionaram a conexão errada. A vitória assegurada foi pelos ares.

Ao invés de denunciar o candidato José Serra da tribuna do Senado, seu concorrente Aloízio Mercadante convocou a imprensa lúmpen para fazer o trabalhinho sujo. Não quis sujar as mãos, peitou um empresário de comunicação quase falido para jogar lama no ventilador.

A IstoÉ deu status político à imprensa marrom. A revista entra para a história do jornalismo como veículo-suicida, desatenta à autodesmoralização, preocupada apenas em cumprir o acerto para desmoralizar o adversário do mandante. E, em seguida, embolsar a bolada sob a forma de contratos de publicidade com alguma estatal. Há publicações que acabam gloriosamente, outras preferem rastejar [ver "Assalto à imprensa", neste OI].

O presidente Lula está esquecendo sua dívida com a imprensa. Ele percorreu o caminho do sindicato até o Planalto empurrado e sustentado pela imprensa. E foi a imprensa semanal, orquestrada pelo general Golbery do Couto e Silva, que colocou na capa de diversas edições aquele barbudo desconhecido, líder sindical que não obedecia às palavras de ordem dos comunistas que operavam dentro do então MDB.

Sem a imprensa Lula não teria sobrevivido até as eleições de 2002 e, não fosse esta imprensa acostumada a ser simpática e simpatizante dos seus encantos, a imagem "Lula paz e amor" não teria colado na classe média.

Importante registrar que depois da posse em 2002 a imprensa não apresentou qualquer fatura pelos serviços prestados. Nem poderia fazê-lo, já que refletira com razoável eqüidistância as tendências da opinião pública.

[Incluído às 12h48 de 26/9: Declaração do deputado Paulo Delgado (PT-MG) apurada pela repórter Maiá Menezes, de O Globo (26/9): "Nós estamos cuspindo na rotativa em que comemos. O PT é um produto da imprensa. A imprensa sempre ampliou a nossa voz e a nossa luta. A cobertura democrática cobra mais do vencedor. Sempre. O PT sabe disso. É obrigação da imprensa livre. Nós devemos nos contentar em vencer as eleições. E não em triunfar sobre a liberdade de imprensa e de opinião".]

Cobrado e argüido

A idéia de um socorro às empresas necessitadas através de uma linha de crédito do BNDES veio do então ministro-chefe da Casa Cívil, José Dirceu, antes mesmo da posse. Mostrou-se inviável justamente porque as empresas de comunicação foram forçadas a reconhecer que não poderiam manter este tipo de relacionamento com o poder público.

A fatura foi cobrada pelo governo quando cedeu aos aloprados e forçou a criação do Conselho Federal de Jornalismo. O escândalo do mensalão, embora revelado pela mídia, não pode ser a ela creditado: foi produzido nos porões do governo e amplificado graças às contradições da base aliada do Planalto. A mídia não poderia se omitir ou ignorá-lo, mas não se deixou seduzir por nenhum dos seus aloprados. As teorias conspiratórias (como a história dos dólares de Cuba produzida nos laboratórios de Veja) não prosperaram graças ao ceticismo da própria mídia.

O Dossiê Vedoin-IstoÉ foi programado para detonar quando seria impossível desmenti-lo. A fúria dos seus mentores, executores e beneficiários origina-se justamente na impossibilidade de reverter as suas revelações e impedir os seus desdobramentos, mesmo que a Polícia Federal tenha arrefecido seu ímpeto investigador.

Colocar a imprensa sob suspeição, como fazem nos últimos dias o governo e seu partido, é uma manobra perigosa porque programa para o day after (2 ou 30 de outubro) um confronto que pode agravar as ameaças de ruptura já visíveis.

O país agüenta qualquer tranco no câmbio, no preço do petróleo, na renúncia de um presidente (como aconteceu com Collor de Melo). O país só não agüenta um furacão político. Alguns aprendizes de feiticeiros e outros aloprados tentaram no passado provocar uma divisão no país. Produziram uma tragédia.

A imprensa não é oráculo, mas um poder que deve ser cobrado e argüido. Sempre. Por todos. A tentativa de colocá-la sob suspeita porque tem sido capaz de revelar as malandragens dos aloprados de hoje favorece a cizânia e semeia hostilidades. Essa é uma praga para qual não temos antídotos e vacinas.

Fonte: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br

E AVISO: quinta-feira tem debate dos candidatos à presidência na Globo.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Poder X Política

"A política... há muito tempo deixou de ser ciência do bom governo e, em vez disso, tornou-se arte da conquista e da conservação do poder"
(Bianciardi L., "La Vita Agra")


"Os políticos precisam conquistar votos, e, para cumprir esse objetivo vale tudo num jogo onde não há escrúpulos. Já dizia Nelson Rodrigues que a unanimidade é burra, e a democracia tem esse risco, pois uma nação, sem fortes raízes ideológicas, fica sujeita aos desejos de momento da maioria. Onde não há cultura e educação, onde aspéctos morais e ideológicos não antecedem o pragmatismo do governo por consenso, seja este qual for, liberdades individuais serão destruídas por interesses de grupos organizados, conceitos morais serão deturpados e trocados por objetivos obscuros, porém embalados em nobres palavras.
(Rodrigo C. dos Santos)

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A nossa classe política não age como representante dos interesses de segmentos da sociedade ou como um todo. Para perceber isto não é preciso esforço, basta ver como todo o sistema partidário é organizado... é mais fácil encontrar uma ONG do que um partido para defender uma idéia. Os políticos fazem alianças, com qualquer partido, sob qualquer compromisso, trocam de lado e chegam até a apoiar quem na outra eleição era seu malvado inimigo sem moral, aquele que não merecia ser eleito, mas isso tudo acontece desde que obtenham bons votos, que garanta o PODER.

FelipeCL

quarta-feira, setembro 13, 2006

O Efeito Nefasto da Afirmação e Repetição

Muito comum ver um candidato em seus poucos minutos de campanha gratuita na TV repetir várias vezes a mesma afirmação...
Por isso a repetição é uma das ferramentas mais poderosas que os nossos candidatos têm, tanto para destacar uma verdade, como fortalecer uma mentira, criar uma máscara.




O Efeito Nefasto da Afirmação e Repetição

A afirmação e a repetição são agentes muito poderosos pelos quais são criadas e propagadas as opiniões. A educação é, em parte, baseada neles. Os políticos e os agitadores de toda a natureza fazem disso um uso quotidiano. Afirmar, depois repetir, representa mesmo o fundo principal dos seus discursos. A afirmação não precisa de se apoiar numa prova racional qualquer: deve, simplesmente, ser curta e enérgica, e cumpre que impressione. Pode-se considerar como tipo dessas três qualidades o manifesto seguinte, recentemente reproduzido em vários jornais:

Quem produziu o trigo, isto é, o pão para todos? O camponês!
Quem faz brotar a aveia, a cevada, todos os cereais? O camponês!
Quem cria o gado para dar a carne? O camponês!
Quem cria o carneiro para proporcionar a lã? O camponês!
Quem produz o vinho, a cidra, etc.? O camponês!
Quem nutre a caça? O camponês!

E, entretanto, quem come o melhor pão, a melhor carne?
Quem usa as mais belas roupas?
Quem bebe o bordeaux e o champagne?
Quem se aproveita da caça? O burguês!!
Quem se diverte e repousa à vontade?
Quem tem todos os prazeres?
Quem faz viagens de recreio?
Quem se coloca à sombra no estio e no inverno junto a um bom fogo? O burguês!!

Quem se nutre mal?
Quem raramente bebe vinho?
Quem trabalha sem cessar?
Quem se queima no verão e gela no inverno?
Quem padece muitas misérias e tem pesados trabalhos? O camponês!

Suficientemente repetida, a afirmação acaba por criar, primeiramente, uma opinião e, mais tarde, uma crença. A repetição é o complemento necessário da afirmação. Repetir muitas vezes uma palavra, uma idéia, uma fórmula, é transformá-las fatalmente em crença. Do fundador da religião ao negociante, todos os homens que procuram persuadir a outros têm empregado esse processo.

O seu poder é tal que se acaba por crer nas próprias palavras assim repetidas e por aceitar as opiniões que habitualmente se exprime. Ao Senado que lhe pedia adotasse medidas destinadas à defesa da Republica, o grande Pompeu não cessava de repetir que César não atacaria Roma e, nota Montesquieu, «porque ele tantas vezes o tinha dito, ele dizia-o sempre». A convicção formada no seu espírito por essas repetições impediu-o de recorrer aos meios que lhe teriam permitido proteger Roma e conservar a vida, ao menos durante algum tempo.

A historia política está repleta de convicções formadas assim, pela repetição. Antes de 1870, os nossos generais e os nossos estadistas não cessavam de repetir que os exércitos alemães eram muito inferiores aos nossos. À força de repeti-lo, nisso firmemente acreditaram. Sabe-se o que nos custou essa convicção. Tendo adoptado opiniões simplesmente porque lhes são úteis, o político, à força de sustentá-las, acaba por nelas acreditar; e muito dificilmente se liberta delas, mesmo quando se torna vantajoso mudá-las. O hábito de louvar a virtude teria acabado, talvez, por tornar virtuoso o próprio Tartufo. As convicções fortes podem, assim, provir de convicções fracas ou mesmo, simplesmente, simuladas. «Fazei tudo como se acreditásseis», disse Pascal, «isso vos fará crer»
Gustave Le Bon, in 'As Opiniões e as Crenças'

terça-feira, setembro 05, 2006

O Desejo de Discutir

Para iniciar o blog vou postar um texto que tem muito a ver com o que acontece em época de eleições: "A discussão"; apesar dessas eleições estarem meio frias, com a maioria da população sem vontade de votar [de acordo c/ a Veja], as pessoas andam meio desanimadas mesmo...


O Desejo de Discutir

Se as discussões políticas se tornam facilmente inúteis, é porque quando se fala de um país se pensa tanto no seu governo como na sua população, tanto no Estado como na noção de Estado enquanto tal. Pois o Estado como noção é uma coisa diferente da população que o compõe, igualmente diferente do governo que o dirige. É qualquer coisa a meio caminho entre o físico e o metafísico, entre a realidade e a ideia. É a esse género de esterilidade que estão geralmente condenadas, tal como acontece com as discussões políticas, as que incidem sobre a religião, pois a religião pode ser sinônima de dogmas, ou de ritual, ou referir-se a posições pessoais do indivíduo sobre questões ditas eternas, o infinito e a eternidade, problemas do livre arbítrio e da responsabilidade ou, como se diz também: Deus.
E o mesmo acontece com as discussões que têm a ver com a maior parte dos assuntos abstratos, sobretudo a ética e os temas filosóficos, mas também com campos de análise mais restritos, incidindo sobre os problemas mais imediatos, como por exemplo o socialismo, o capitalismo, a aristocracia, a democracia, etc..., em que as noções são tomadas tanto no sentido amplo como no restrito, umas vezes de modo concreto, outras de modo abstracto, umas vezes sob uma perspectiva física, outras sob perspectiva metafísica; - a maior parte das conversas sobre todos esses assuntos só parecem de resto possíveis porque nenhuma noção é apreendida com completa nitidez, e dificilmente pode sê-lo, ou se evita mesmo completamente traçar limites precisos, sendo essa a última coisa que se pensaria fazer. Porque aquilo que prevalece neste gênero de discussão, mais frequentemente do que se pensa, não é a necessidade da verdade mas o desejo de discutir. Arthur Schnitzler, 'Relações e Solidão'

Até mais,
Felipe C.L.